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Vida na Itália

10 coisas que eu aprendi morando na Itália

Hoje faz 1 ano que cheguei para viver na Itália.
Além de toda felicidade de estar aqui e de já ter passado pelo período mais crítico da vida de uma expatriada, ao mesmo tempo é para mim um tempo de reflexão, de pensar do que foi bom ou ruim.

Photo by Slava Bowman

Comparações sempre existirão afinal vivi a metade de uma vida no meu país e por mais que o tempo passe e eu me adapte, minhas raízes estão lá.
Semana passada parei para pensar nas coisas que aprendi nesse ano e resolvi escrever esse post para contar para vocês o que eu aprendi morando na Itália

Morando na Itália eu aprendi que

1- Apesar de possuirmos uma terra que se plantando tudo dá, comemos muito mal no Brasil.

Não conhecemos a sazonalidade dos alimentos, comemos muito açúcar,  fritura e industrializados e nunca nos preocupamos com a procedência dos alimentos.
Morando na Itália eu aprendi a ler os rótulos de produtos industrializados e escolher principalmente os alimentos produzidos na região, pois chegam mais frescos às nossas mesas.

Photo by Lian Jonkman

2- o serviço público não é tão ruim quanto eu pensava

Apesar de muitos funcionários públicos no Brasil serem mal humorados, morando na Itália eu descobri que o serviço público aqui é ainda pior.

Apesar de estarmos na Europa as repartições não são suficientemente informatizadas e grande parte dos funcionários é totalmente despreparada. Se a solução do problema foge um pouco do que estão acostumados a fazer eles simplesmente não conseguem resolver o seu problema e não se esforçam para isso.

3- O Brasil não é o único país onde o QI (quem indique) funciona

Dizem que a Itália é o Brasil da Europa e isso eu tenho que concordar. Muitas coisas por aqui só funcionam se você tiver um conhecido para te ajudar.

4- Que qualidade de vida não significa ganhar mais

A dolce vita italiana te ensina que qualidade de vida é comer bem, ter momentos para sua família e amigos, ter transporte público, saúde e educação de qualidade oferecidos pelo governo.
Por aqui as pessoas não estão muito preocupadas em ostentar com um carro bonito e nem gastam parte das suas vidas com consumismo louco que vejo no Brasil.
O sonho de consumo de muitos deles é uma viagem a NY, mas diferentemente dos brasileiros a  viagem aos EUA não tem nenhuma conotação consumista. O que eles querem mesmo é passear.

5- A classe média brasileira vai ao médico demais, faz exames demais e toma remédios demais.

Morando na Itália eu percebi que a culpa é dos planos de saúde que viraram um grande comércio.

Eu também era uma vítima da comercialização da saúde brasileira e só consegui enxergar isso aqui.
Como a saúde pública no Brasil é imprestável, a classe média inevitavelmente gasta boa parte do seu salário pagando um (caro) plano de saúde.
morando na itália

Photo by freestocks.org

E para que a cifra paga seja “bem empregada” todos vão ao médico ao menor sinal de gripe. Consequentemente como não se paga por exames, os médicos em geral vivem passando uma bateria deles.
Eu passava o ano realizando exames e comprando remédios. Estou um ano por aqui e conto nos dedos os exames que fiz: sangue e urina, ginecológico e mamografia de rotina (realizados a cada dois anos na minha faixa etária).
Aqui a saúde é pública mas para realizarmos exames devemos pagar um “ticket” tipo co-participação que varia conforme sua renda, o que faz as pessoas pessoas pensarem 2 vezes em gastar um dinheiro sem que realmente haja necessidade.

6- Que os jovens brasileiros são muito mais conscientes sobre o mal que faz o tabagismo

Apesar do italiano ser super preocupado com o que come, é um povo altamente consumidor de tabaco. A maior parte das pessoas que conheço por aqui,  jovem ou adulto fumam.

Para mim – uma ex-fumante que odeia fumaça de cigarro – sentar do lado de fora dos bares e restaurantes se torna um martírio.

7- Que nós brasileiros somos o povo mais hospitaleiro do mundo

Pelo menos no Rio de Janeiro é muito fácil de fazer amigos. Se você  conhece uma pessoa, amigo de um amigo e tem empatia por ela, automaticamente já se tornou sua amiga de infância. Sei que é um pouco exagerado da nossa parte mas em se tratando de uma pessoa que ama estar cercadas de amigos, sofro muito com a falta deles.

Photo by Priscilla Du Preez

As amizades por aqui levam anos para ser construídas. Até hoje só consegui fazer 1 “amiga” italiana. Daquelas que a gente encontra sempre para bater um papo.

Quando cheguei aqui disse que não queria saber de amizade com brasileiros. Simplesmente paguei minha língua: as belas amizades que fiz por aqui são brasileiros.

8- Que o normal é você entrar com o carro na garagem sem se preocupar em ser assaltado

Morando na Itália às vezes me pego lembrando o stress que era entrar com o carro na garagem no Brasil. Quando ainda não morava aqui achava o máximo entrar com o carro na garagem de madrugada e deixar o portão escancarado até sair do carro.
A violência no Brasil nos faz inverter os valores, nos acostumar com o perigo e se espantar com o que é normal.

9- Que morar em uma cidade pequena não significa uma vida monótona

Esse era um dos meus maiores medos antes de morar na Itália. A diferença é que na Itália uma cidade de 150 mil habitantes não é tão pequena assim.
Por aqui tem sempre alguma coisa acontecendo. E se não tiver nada interessante na cidade onde moro é super fácil pegar o carro ou um trem e ir explorar uma outra igualmente encatadora.
Em um ano ainda não consegui parar ara descansar.

10- Que ter trocado a dobradinha praia de “Ipanema/violência” pela “praia de Rimini/tranquilidade” está valendo a pena.

Mesmo amando de paixão a cidade do Rio de Janeiro, por enquanto não tenho vontade de voltar nem para passear.

Apesar da grande saudade da família e dos amigos estar em um lugar que me traz tranquilidade de viver me trouxe saúde e paz.

Leia os outros posts sobre vida na Itália

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9 Comments

  • Reply gissele

    Muito bacana, Dani! Obrigada por compartilhar essa experiência!

    novembro 8, 2017 at 8:08 pm
  • Reply Nina Araujo

    Maravilha de relato,Dani! Obrigada.

    novembro 8, 2017 at 10:07 pm
  • Reply Barbara

    Oi Dani,
    Muito legal ler o seu relato. A burocracia da Italia é realmente tão complicada que eu não saberia como sobreviver a ela sem meu marido. Precisaria de um manual, que depois varia de acordo com o estado, cidade…
    Mas muitas outras coisas boas compensam…
    Bom segundo ano para você! 😘

    novembro 8, 2017 at 10:16 pm
  • Reply JUSSARA MERCALDI DONADON

    OLA DANI, ADORO SEU BLOG SEMPRE QUE POSSO ESTOU ESPIANDO KKK. QUE LEGAL SABER QUE O SEU BALANÇO FOI POSITIVO,PELO QUE MOSTROU NA POSTAGEM. GOSTO MTO DE CONHECER COSTUMES , CULTURA,ALIMENTAÇAO .PAISAGENS DE OUTROS PAISES , E VC NOS MOSTRA TDO ISOO. GRATA. BJUS

    novembro 9, 2017 at 11:44 am
  • Reply Renato Trettel

    Obrigado por seu relato!
    Informativo, singelo, claro e objetivo.

    Amo a Itália e no ano que vem irei de mala e cuia.

    Ciao! Arrivederci!

    novembro 9, 2017 at 12:14 pm
  • Reply Milena

    Amei seu post Dani, aliás tenho amado o blog e também os vídeos no Insta. Sou carioca como você mas vivo em Brasília. Sou casada com um italiano e temos pensado de sair do Brasil para viver de vez na Italia. Tenho um pouco de medo, claro, mas ando muito cansada da vida no Brasil. Amo a cultura italiana. O problema é que tenho 44 anos e mudar de país nessa idade dá um frio na barriga. Em todo caso, ainda quero realizar esse sonho. Parabéns pelo blog! beijos Milena

    novembro 9, 2017 at 6:39 pm
    • Reply Dani Bispo

      Milena não é fácil, mas vale a pena (principalmente na situação de desemprego que saímos). Obrigada por acompanhar o blog e o insta. Bjs

      novembro 9, 2017 at 6:45 pm
  • Reply Ruth

    Trilhando os mesmos caminhos e as mesmas ideias. Porém ainda me divirto muito com os funcionários públicos. É tão absurdo, mas é tão italiano que as vezes acho que estou num filme! Não tá acontecendo aquilo… E assistência técnica?? É de chorar de rir. . . e de raiva!

    novembro 10, 2017 at 1:05 am
    • Reply Dani Bispo

      Chorar de rir de raiva foi ótimo ahhaah

      novembro 10, 2017 at 6:41 am

    Leave a Reply